Erros de Cálculo no livro “O Fator Maia”, de José Argüelles

Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4
Por: Luís Gonçalves, “Alektryon Christophoros”
Em: 12.19.13.11.1, 6 Imix, 14 Mol

Terça-Feira, 5 de Setembro de 2006

 

NOTA PRÉVIA:

 

 

É minha intenção demonstrar, com este texto, que Argüelles decididamente não é a melhor fonte de informação sobre o Calendário Maia. Em vários pontos do livro Argüelles comete erros grosseiros, como escrever mal as datas segundo a Conta Longa, as quais não estão relacionadas com as datas gregorianas que referidas por ele, nem com o Tzolkin (calendário sagrado) ou o Haab (calendário solar civil) usados pelos Maias da Época Clássica. Dessa forma o calendário usado por José Argüelles, hoje em dia conhecido como “Calendário da Paz” ou “Encantamento do Sonho” (Dreamspell) é tudo menos um Calendário Maia.

 

-> Por que razão Argüelles se refere constantemente aos Maias, se o calendário usado por ele neste livro não é Maia?

 

-> Por que razão Argüelles mente descaradamente sobre as datas de nascimento e morte do rei-sacerdote Pakal, dando um ar de mistério e assombro ao que escreve, quando todos os dados fornecidos estão ERRADOS segundo as evidências arqueológicas encontradas em Palenque?

 

-> Por que razão Argüelles se refere constantemente aos Maias como se fossem grandes mestres galácticos, sem dar UMA única prova sólida e indiscutível daquilo que afirma?

 

-> Por que razão Argüelles fala do Tzolkin (que ele chama de “Módulo Harmônico Universal”) como se fosse a ÚNICA chave para se compreender todo o universo e a Humanidade, como se os Maias fossem os reveladores de um grande plano cósmico para salvação dos habitantes da Terra? Porque razão Argüelles fala como se expusesse grandes verdades e fosse um mestre iluminado, quando ele próprio comete erros grosseiros e mentiras COMPROVADAS ao longo de todo o seu livro? Por acaso seria possível a um verdadeiro Mestre mentir tanto quanto Argüelles?

 

-> Por que razão Argüelles emprega tantos nomes e termos enigmáticos, como “Kuxan Suum”, “Banco Psi”, “raíz vibratória cósmica”, “câmara interdimensional no núcleo cristalino da Terra”, “transdução ressonante”, “subcampo morfogenético chamado baktun”, entre outros? Será que ele pensa que é “falando caro” que vai convencer as pessoas?

 

São estas as razões, entre outras que se tornarão claras ao longo do tempo, pelas quais eu escrevi este texto. Meditem profundamente sobre os erros aqui assinalados, e perguntem a vocês próprios:

 

“COMO PODE SER ISTO POSSÍVEL?!”

 

PÁG. 29:

 

«(...) tendo profetizado sua volta no dia 1 Reed (=Junco), no ano 1 Reed, foi confirmado pela chegada de Cortés naquele mesmo dia, uma Sexta-feira Santa no calendário cristão, ano de 1519 d.C.»

 

O ano 1519 d.C. foi de facto um ano 1-Junco, segundo o Calendário Azteca. No entanto, nesse ano a Sexta-feira Santa calhou no dia 22 de Abril (juliano), que foi um dia 2-Crocodilo. O dia 1-Junco só aconteceu 12 dias mais tarde, a 4 de Maio de 1519 d.C. (jul).

 

ERRO: 12 dias.

Referência: http://www.azteccalendar.com (Alfonso Caso, terminal).

 

 

PÁG. 48:

 

«Portanto, a data correspondente a 2993 a.C. seria escrita: 0.1.0.0.0.»

 

Segundo a Conta Longa dos Maias, a data 0.1.0.0.0 corresponde ao ano 3093 a.C.. Presumindo a ocorrência de um erro tipográfico e que a data real era 1.0.0.0.0, mesmo assim a data calharia no ano 2719 a.C.. E mesmo presumindo que a data pretendida era 0.10.0.0.0, ainda assim a referida data calharia no ano 2916 a.C.

 

ERRO: 77 anos (2916 a.C.), 100 anos (3093 a.C.), ou 274 anos (2719 a.C.)!!!

 

 

PÁG. 48:

 

«(...) a maioria das datas decifradas aparecem assim: 9.13.10.0 (702 d.C.)»

 

Erro (ou distracção). A forma correcta é 9.13.10.0.0.

 

 

PÁG. 82:

 

«Segundo o número de kin decorridos desde 3113 a.C., 13 66 560 corresponde a uma data no ano de 631 d.C.»

 

1366560 kin decorridos desde o início da Conta Longa (0.0.0.0.0, 11 de Agosto de 3113 a.C. (greg.)) correspondem na realidade ao ano 629 d.C.

 

ERRO: 2 anos.

 

 

PÁG. 82:

 

«(...) 683 d.C. corresponde a 3.796 anos solares transcorridos da mesma data inicial.»

 

A data correcta é 681 d.C., ou 9.12.8.13.0 (kin 1385540) na Conta Longa.

 

ERRO: 2 anos.

 

 

PÁG. 82:

 

«Também é bastante significativo que o espaço de 52 anos entre essas datas corresponda à idade terrena de Pacal Votan.»

 

Este é um dos grandes erros de Argüelles, sem dúvida propositado, o qual tenta demonstrar como a vida terrena de Pacal (cujo nome real era comprovadamente “Kinich Janaab Pakal”, e não Pacal Votan) estaria tão especialmente ligada ao número-chave 1’366’560, que aparece no Códice de Dresden.

 

No entanto, hoje sabe-se que Pakal nasceu no dia 24 de Março de 603 d.C. (greg), que foi o dia 8 Ahau no Tzolkin e o kin 1’357’100 (9.8.9.13.0) na Conta Longa, e morreu 80 anos depois, a 29 de Agosto de 683 d.C. (greg), que foi o dia 6 Etznab e o kin 1’386’478 (9.12.11.5.18) na Conta Longa.

 

Por estas razões, o argumento de Argüelles é totalmente FALSO.

 

 

PÁG. 85:

 

«Evidente manifestação de Kukulkan/Quetzalcoatl, a vinda de Pacal Votan em 631 d.C. era indicada pelo término do 36.º grande ciclo de Vênus a partir da data inicial, 3113 a.C.»

 

Um grande ciclo de Vénus, como explicado nas linhas seguintes a esta frase, é equivalente ao “casamento” dos ciclos do ano venusiano (584 dias), do ano solar civil ou ‘Haab’ (365 dias), e do ano sagrado ou ‘Tzolkin’ (260), da seguinte forma:

 

65 x 584 = 104 x 365 = 146 x 260 = 37’960 dias.

 

Esta era a chamada “Ronda de Vénus”, que correspondia a duas “Rondas de Calendário” de 18’980 dias cada (52 Haab, ou 73 Tzolkin). Desta forma, se contarmos 36 ciclos de 37’960 dias desde o início da Conta Longa, chegamos ao já referido kin 1’366’560, no ano 629 d.C. Como Pakal não nasceu em 629 d.C., e ainda por cima Argüelles se refere a um absurdo ano de 631 d.C., o seu argumento cai por terra completamente.

 

 

PÁGS. 124 & 125:

 

«CICLO DE 13 BAKTUN: HARMÔNICO DE ONDA DA HISTÓRIA»

 

Nestas páginas pode-se ver um esquema que mostra o “deciframento” da História, em que Argüelles compara os 260 Katuns que decorrem desde o início da Conta Longa (0.0.0.0.0, em 3113 a.C.) até ao seu fim (13.0.0.0.0, em 2012 d.C.), aos 260 Kins do Tzolkin. Enquanto este é um sistema de correspondências de que eu gosto particularmente, e do qual só tomei conhecimento através deste autor, esta tabela apresenta numerosas falhas, manipulações e omissões que, muitas vezes, tiram muito do significado “especial” que à primeira vista pode parecer existir para determinadas datas.

 

Tomando como exemplo o rei-sacerdote Kinich Janaab Pakal, que Argüelles chama de “Pacal Votan” (confundindo o rei Pakal com um antigo herói civilizador mencionado em registos maias, chamado Votan), sabemos que ele nasceu no dia 24 de Março de 603 d.C. (greg), que corresponde à data 9.8.9.13.0 na Conta Longa. Seguindo o sistema de Argüelles esta data corresponderia ao Katun 8 (que é o 9º em ordem, sendo que o primeiro é numerado Zero, correspondendo ao glifo MULUC) do Baktun 9 (que é o 10º, sendo o primeiro numerado Zero). Desta forma, o 9º glifo da 10ª coluna corresponde ao kin 189 ou 7-MULUC. No entanto, Argüelles coloca Pacal no 11º glifo da 10ª coluna (9-CHUEN), correspondendo ao ano 642 d.C. quando Pacal já tinha quase 40 anos. Porque não colocar Pacal no kin correcto, 7-MULUC, que foi a data do seu nascimento? Ou então na data da sua morte, que corresponderia ao kin 11-BEN? Porquê este desfasamento deliberado?

 

Na realidade a resposta a esta pergunta é mais fácil do que parece. O que acontece é que no Calendário da Paz, um calendário pseudo-maia criado pelo autor do livro, o kin do próprio Argüelles é 11-CHUEN (ou “Macaco Espectral Azul”), desta forma associando o rei-sacerdote Pakal (enganadoramente colocado no período de 9-CHUEN, na tabela) ao próprio Argüelles que se considera uma reencarnação de Pakal, tendo até assumido os títulos “Valum Votan” e “Ministro de Arcturus”, como se Argüelles fosse um Cristo ou Salvador galáctico... tal como os supostos “maias galácticos” a que ele se refere durante todo o seu livro. Assim, o mistério e a mentira são finalmente desvendados, caindo o pano que cobre as reais intenções egoístas e ególatras de José Argüelles.

 

 

PÁG. 140:

 

«No calendário atual, computado em relação ao nascimento de Jesus Cristo, a data é 20 de Junho de 1986 d.C. No calendário maia, calculado a partir de 13 de Agosto de 3113 a.C., hoje é 10 BEN, 9 KAYEB, 12.18.14.18.9, o que significa que estamos no Baktun 12, katun 18, ano 14, vinal 18, dia 9. Ou poderíamos dizer que é kin 1862599, número de dias decorridos desde o início do Grande Ciclo, ou menos de 10.000 kin do término do Grande Ciclo.»

 

É incrível como um parágrafo tão pequeno pode conter um número tão grande de erros. Para além da própria data segundo a Conta Longa estar errada (é impossível haver um número 18 no lugar do Uinal, uma vez que 18 Uinals são 1 ano aritmético ou Tun, no terceiro lugar), ela não corresponde ao número de kins apresentados nem à data gregoriana referida. Da mesma forma, é tecnicamente impossível que um dia 10 BEN do Tzolkin calhe num dia 9 KAYAB do Haab (usei o programa IWAL UT v3.04 para verificar a validade desta combinação, a qual foi classificada como errada ou impossível). E ainda, como é bem conhecido dos estudantes do genuíno Calendário Maia, é impossível que uma data da Conta Longa que termina em ‘9’ seja um dia BEN: o único dia que pode calhar numa dessas datas é MULUC, que é o 9º dia/glifo do Tzolkin.

 

Fazendo a conversão do dia 20 de Junho de 1986 para o Calendário Maia tradicional, segundo a constante de correlação GMT3 ou 584285 (a qual estipula o início da Conta Longa em 13 de Agosto de 3113 a.C.), descobrimos que foi a data 12.18.13.1.17 (kin 1’862’317), 6 CABAN, 10 ZOTZ. O erro é notável.

 

Se fizermos os cálculos para saber em que dia teria calhado o kin 1862599, mencionado por Argüelles, então descobriríamos que esse kin foi o dia 29 de Março de 1987 (um “simples” erro de 282 dias), e que na Conta Longa teria sido 12.18.13.15.19. De novo, como pode ser visto, há um erro enorme em relação às datas mencionadas no parágrafo.

 

Finalmente, se convertermos a data segundo a Conta Longa mencionada por Argüelles, 12.18.14.18.9 (que como já vimos está incorrecta), para o número de kins decorridos desde 0.0.0.0.0:

 

(12 x 144’000) + (18 x 7’200) + (14 x 360) + (18 x 20) + (9 x 1) = 1’863’009 dias

 

... descobrimos que nem sequer o número real de kins coincide com o número fornecido por Argüelles, para a mesma data da Conta Longa (1’862’599)! Na realidade, há um “ligeiro” engano de “apenas” 410 dias. Será Argüelles, afinal de contas, tão iluminado e esclarecido em relação ao Calendário Maia como os seguidores do Encantamento do Sonho pensam?

 

 

PÁG. 157:

 

«Isto é o que se quer significar com “convergência harmônica” ocorrendo em 1863022 e 1863023, 16-17 de Agosto de 1987.»

 

Contando respectivamente 1863022 e 1863023 kins desde o início da Conta Longa, chegamos na realidade aos dias 23-24 de Maio de 1988.

 

ERRO: 281 dias.

 

 

PÁG. 157:

 

«Concluído em 1 Imix, 12 Zotz, 6 de Outubro de 1986, Ano Oriental 7 Muluc.»

 

Como seria de esperar num livro com tantos erros e tão grosseiros, como se pôde verificar, era inevitável que o autor o terminasse com ainda mais um erro igualmente absurdo.

 

Segundo o Calendário Maia Tradicional 6 de Outubro de 1986 foi o dia 12.18.13.7.7 na Conta Longa, 12 MANIK no Tzolkin, e 0 YAX no Haab. E, tal como aconteceu no erro da página 140, é tecnicamente impossível que um dia 1 IMIX coincida com um dia 12 ZOTZ. Como se vê, o erro é notável. No entanto neste caso, Argüelles acrescenta o pormenor do ano “maia” em que terminou o livro: 7 MULUC. Segundo o sistema calendárico clássico de Tikal, 6 de Outubro de 1986 ocorreu num ano 1 MANIK, iniciado a 9 de Abril de 1986 no dia 0 POP do Haab. Segundo o sistema azteca, esse dia ocorreu num ano 13 Tochtli (=LAMAT). Segundo o sistema Ixil-Quiché, esse foi um ano 13 MANIK. Mesmo segundo o sistema calendário de Mayapan, formulado em 1539 d.C., esse teria sido um ano 3 MULUC (e não 7). Nenhum outro sistema calendárico coincide com a contagem artificial de Argüelles.

 

 

PÁG. 223:

 

Na secção referente aos “números harmônicos” existem vários erros. Ver os três exemplos presentes na página 82.

 

 

PÁG. 224:

 

Finalmente (!!!), uma chuva torrencial de erros e mentiras:

 

 

«Na época da Conquista, os ciclos de 52 anos eram contados do dia 1 Junco, Ano 1 Junco, que foi a data em que Cortés desembarcou no México.»

 

Errado. No sistema azteca, os anos eram contados a partir do primeiro dia do Xiuhpohualli, o ‘Haab’ azteca (dia 1 do mês 1, Izcalli ou “ressurreição”) no ano 1-Coelho (Ce Tochtli), que era o ano sagrado de Xiuhtecuhtli, o deus que presidia à cerimónia do Novo Fogo no princípio de cada ciclo de 52 anos ou Xiuhmolpilli. No Tonalpohualli, o ‘Tzolkin’ dos aztecas, esse era sempre um dia 6-Água (Chicuace Atl), sendo o dia ATL sagrado para o já referido deus Xiuhtecuhtli.

 

Quanto à data de chegada de Cortés ao México, vejam por favor o erro apontado na página 29.

 

 

«Esta data pôs fim a treze ciclos celestes de 52 anos e deu início a nove ciclos infernais de 52 anos, que terminam em 16 de Agosto 1987.»

 

Essa é a chamada Profecia dos 13 Céus e dos 9 Infernos, de Topiltzin Ce Acatl Quetzalcoatl (“Nosso Príncipe 1-Junco Serpente Emplumada”), um governante tolteca. No entanto, o pormenor da data está errado.

 

Tony Shearer foi a pessoa que pela primeira vez mencionou uma “Convergência Harmónia” em 1987, quando acabaria o ciclo dos 9 Infernos profetizados por Quetzalcoatl. No entanto Tony Shearer contou 9 x 52 anos a partir da data em que Hernán Cortés conheceu o imperador azteca Montezuma pela primeira vez, a 16 de Agosto de 1519 d.C. (jul), e não a partir do dia em que Cortés desembarcou no México, como Argüelles afirma. E mesmo assim, Shearer não fez os cálculos correctamente: em vez de contar 9 rondas de calendário (9 x 52 x 365 = 170’820 dias), contou 9 ciclos de 52 anos julianos, de 365,25 dias cada (9 x 52 x 365,25 = 170’937 dias) a partir de 16 de Agosto de 1519 (juliano), chegando ao dia 16 de Agosto de 1987... segundo o mesmo calendário Juliano, o qual está 13 dias atrasado em relação ao actual calendário Gregoriano! Ou seja, Shearer contou de maneira errada, e no fim ainda considerou que a data obtida (16 de Agosto de 1987) se referia ao calendário Gregoriano em vez do Juliano, que foi o calendário com que ele trabalhou nos cálculos. No entanto esta data revelou-se especial para Shearer, uma vez que segundo a constante de correlação GMT2 ou 584284, com que ele trabalhava, 16 de Agosto de 1987 d.C. foi um dia 13 AHAU, o último dia do Tzolkin, e 17 de Agosto foi 1 IMIX, o primeiro dia. Assim, ele acreditou que 16-17 de Agosto de 1987 realmente marcavam um novo início para a Humanidade, ignorando que os próprios cálculos estavam errados. Foi assim que foi calculada a (falsa) data da Convergência Harmónica.

 

Se ele tivesse contado correctamente, 9 x 52 x 365 dias desde o dia 16 de Agosto, teria chegado ao dia 21 de Abril de 1987 (juliano), que correspondeu ao dia 4 de Maio de 1987 d.C. segundo o Calendário Gregoriano. Essa teria sido a verdadeira data da Convergência Harmónica.

 

 

«O ano maia geralmente começa na data equivalente, 26 de Julho.»

 

É absurdo Argüelles afirmar que apenas 1 dia gregoriano corresponde ao início do ano maia, uma vez que o HAAB (ano solar civil) dos Maias era um ano de 365 dias *fixos*, o que significa que aproximadamente a cada 4 anos o Haab se atrasa um dia em relação ao Calendário Gregoriano, aquando do acréscimo do dia bissexto (29 de Fevereiro).

 

No Calendário da Paz, o calendário pseudo-maia criado por Argüelles, este problema foi “resolvido” partindo-se do falso princípio que o dia 29 de Fevereiro era um dia “artificial”, criado pelo Calendário Gregoriano, e que portanto a sua energia é nula (0.0 Hunab-Ku). No entanto é lógico que o Sol nasce e se põe nesse dia, portanto ele *deve* ser contado como qualquer outro, sem esquecer o facto de que em TODOS os outros calendários usados pela Humanidade, o dia 29 de Fevereiro é sempre contado como um dia normal. É precisamente aqui que está a grande diferença entre o Calendário da Paz e o Calendário Maia Tradicional: enquanto no CdP o dia 29 de Fevereiro é simplesmente ignorado de maneira a que o Calendário da Paz continue sincronizado com o Calendário Gregoriano (o que é uma contradição em si mesmo, já que os seguidores de Argüelles consideram que a contagem gregoriana do tempo é “má”, “económica” e “mecanizada”), interrompendo-se até mesmo a contagem do Tzolkin, no Calendário Tradicional a contagem é lógica, harmónica e fluida, contando-se todos os dias sem excepção, numa contagem contínua, ininterrupta desde há 5125 anos atrás.

 

 

«Esta data, em 1986, correspondeu a 7 MULUC; 26 de Julho de 1987 é 8 IX; 26 de Julho de 1988 é 9 CAUAC etc.»

 

Segundo o calendário maia usado na cidade de Mayapan, o único sistema tradicional que usava os mesmos “portadores do ano” do Calendário da Paz (KAN, MULUC, IX & CAUAC) e cujo Ano Novo correspondia ao dia “2 Pop” do sistema de Tikal, as datas correctas do Ano Novo e respectivos Kins seriam:

-> 11 de Abril de 1986 = 3 MULUC (erro: 106 dias)

-> 11 de Abril de 1987 = 4 IX (erro: 106 dias)

-> 10 de Abril de 1988 = 5 CAUAC (erro: 107 dias)

 

 

«Em anos bissextos há seis em vez de 5 Vayeb.»

 

Errado. O Haab clássico dividia-se em 18 meses de 20 dias, mais um período de 5 dias *fixos* que eram considerados nefastos, os Uayeb, equivalentes aos Nemontemi ou “dias vazios” dos Aztecas. E os Maias (do período clássico) não precisavam de fazer correcções bissextas, já que eles usavam ciclos de 1508 Haab, que correspondiam a 1507 anos solares verdadeiros:

 

1508 Haab = 1508 x 365 dias = 550’420 dias = 1507 anos solares

 

O que dá uma média extraordinária de 365,2422 dias por ano solar verdadeiro, segundo os cálculos Maias, sem necessidade de correcções bissextas.

 

 

«Os Vayeb caem sempre cinco (ou seis) dias antes de 0 POP. O primeiro dia do Haab é sempre 0 POP; ...»

 

Correctíssimo, mas sem o pormenor do “(ou seis)” ;)

 

 

«isto é, 26 de Julho é sempre 0 POP.»

 

Errado: ver alíneas anteriores.

 

 

NOTA FINAL: Existem mais erros n’ O Factor Maia do que os apontados neste texto, sendo que alguns deles estão repetidos em várias páginas não podendo portanto ser constantemente apontados e corrigidos, o que exigiria um livro completo. Alguns outros erros menores encontram-se na páginas 121-123, 134, 136, e 143-156, em que normalmente a diferença é de 1 ano (por exemplo o último Katun, 13 AHAU, não começou em 1992 mas sim em 1993, etc)