E SE VOCÊ NÃO É HUMANO?

 

 

 

 

Calma! Vou explicar a pergunta. Vamos por partes.

     Primeira parada: geocentrismo.

 

     Durante muito tempo nós, habitantes da terra, acreditamos que o planeta terra fosse o centro do universo. Esta teoria cientifica era chamada de geocentrismo. Baseado nela, Ptolomeu desenvolveu um dos primeiros modelos de sistema solar. Ptolomeu estava equivocado, mas foi ninja. Com a terra no centro do universo, teve que postular e matematizar orbitas de planetas que faziam zigzags, dava piruetas e oscambau. Era o verdadeiro samba do universo doido, mas Ptolomeu insistia que a terra tinha, porque tinha, porque tinha, porque tiiiiinha que ser o centro do universo. Claro, além da puta zona orbitas bêbadas, gritavam também sempre evidencias de que o geocentrismo era um equivoco. Mas nada que um remendo teórico não pudesse esconder. E pra aqueles gritos que não tinham concertos, tinha a fogueira.

 

     Segunda parada: apocalipse geocêntrico.

 

     Foi então que, Nicolau Copérnico, e vai saber porque, resolveu se candidatar a churrasquinho. Vendo aquele sistema planetário de Ptolomeu que mais parecia o circo dos horrores, deu início ao apocalipse geocêntrico. Tudo começou com uma pergunta simples assim: “E se a terra não é o centro do universo? E se coloco o sol no centro do sistema, o que será que acontece?” pensou Copérnico. Pro seu próprio espanto, tudo começou a se encaixar perfeitamente. Todas as contradições do sistema geocêntrico começaram a desaparecer feito a noite quando chega o dia. De repente, os planetas do sistema solar pararam de dar cambalhotas, fazer zigzags e passaram a bailar em elipses ao redor do sol, assim como a terra. Era o apocalipse do geocentrismo. Era um novo universo surgindo, uma nova gênese: o heliocentrico. Tudo por causa de uma pergunta: “E se a terra não é o centro do universo?”

 

     Terceira parada: mudança de centro

 

     O que mudou do geocentrismo pro heliocentrismo? O que mudou de fato? Copérnico mudou a terra de lugar? Mudou o sol? Mudou o universo? Claro que não! Copérnico nós mudou. Mas o que foi que Copérnico mudou em nós? Ou melhor, o que foi que Copérnico mudou em si, e propôs que mudássemos em nós mesmo? O ponto de visão, não é mesmo? Copérnico propôs um novo ponto de vista: o heliocêntrico.

 

     Quarta parada: apocalipse humana

 

     Analogamente, o que é o apocalipse? O que é o fim do mundo humano? Ora, é o fim da ilusão de que o humano (ego) é o centro da nossa existência. Vivemos sob esta ilusão. Colocamos o humano no centro da nossa existência e esquecemos completamente do ser, que é o centro de fato, assim como o sol sempre foi o centro de fato, mesmo durante a ditadura do geocentrismo. Eis porque nada se encaixa. Eis porque quanto mais buscamos resolver o sofrimento, mais ele dá cambalhotas e faz zigzag.

Quinta parada: o apocalipse já é!

     Por que você acha que está lendo este texto? O apocalipse já está acontecendo dentro da consciência de cada ser humano que ouve a trombeta: “e se eu não sou humano?” E esta pergunta não está presente pra destruir a humanidade, mas apenas pra colocá-la no seu devido lugar. Está nos apontando, como um Nicolau Copérnico, para o fato de que é a humanidade que roda ao redor do ser e não o ser que roda ao redor da humanidade. Eis o apocalipse que você está vivendo aqui e agora. Eis a gênese da espiritualidade (ser) que está surgido em todos nós. É uma revolução sem armas, sem inimigos, sem nenhuma mudança ideológica, apenas de centro.

     Assim: não espere pelo apocalipse, aceite-o. Aceite-se-ser.

 

Fonte: ferrarinanet.blogspot.com