Paranóia H1N1

Acho que os sintomas mais fortes do H1N1 são paranóia e perda gradativa do bom senso.

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Tenho visto com um certo desgosto e agora indignação o “cerumano” cair na paranóia H1N1. Só por esta primeira frase irei receber uma enxurrada de comentários me crucificando pelo “descaso com a saúde pública”. Mas antes de você dar a primeira martelada em meus cravos, vamos deixar o medo de lado e vamos ver alguns números?

Os números mentem

Já me disseram (em tom de conspiração governamental) que os números oficiais estão distorcidos e que os casos seriam muito mais. Claro que são muito mais. Olhe a afirmação do governo em seu boletim informativo:

A taxa de mortalidade dos casos confirmados de SRAG pelo novo vírus é de 0,029 óbitos por 100 mil habitantes. Cabe destacar que, de acordo com o protocolo brasileiro, o cálculo da taxa de letalidade em relação ao total de casos de influenza não é mais utilizado como parâmetro para monitorar o comportamento da doença, uma vez que os casos leves não são mais notificados, exceto em surtos.

Isso mesmo que você leu, casos leves não são contabilizados. Somente aqueles que se tornam graves. Vou repetir mais uma vez, pois eu sei que possuído de paranóia a pessoa não entende o que os outros dizem: casos leves não são contabilizados. Mas por que diabos o governo faria uma coisa dessa com um virus “tão mortal” quanto o da gripe suína?

O nível de gravidade dos casos de influenza A (H1N1) e de gripe comum se mantém semelhantes (19% para a nova gripe e 18,5% para a gripe sazonal), reforçando a indicação de que a abordagem clínica para diagnóstico, tratamento e internação deve ser a mesma para os casos de síndrome gripal. – Boletim do Ministério da Saúde.

Devo lembrar que inclusive os casos de gripe comum, só os casos graves é que são contabilizados. Ou você acha que o governo contabiliza a gripe que você pegou no ano passado? Mesmo porque você comprou um antigripal, foi pra casa, dormiu e sarou. Nem pisou no sistema público de saúde.

Você assimilou a informação? A gripe suína NÃO É MAIS MORTAL QUE a gripe comum. Entendeu? Vou falar novamente para dar tempo para as sinapses nervosas: A GRIPE INFLUENZA A NÃO É MAIS MORTAL que a gripe comum. Vou trocar a cor da fonte: a gripe H1N1 não é mais mortal que a gripe comum.

Casos Graves

Você entendeu que a Influenza A só mata com uma certa configuração de fatores? Você entendeu isso? Mesmo? Está lúcido e acordado?

tabela_risco_influenza_a_n1h1

Fonte: Ministério da Saúde

 

Medo, paranóia, marketing e sindrome Helen Loverjoy

O medo é ótimo para a política. Já dizia Maquiavel que tudo que um governante precisa é de uma crise para baixar as medidas drásticas que nunca são aceitas. Vide 11 de setembro, guerras, terrorismo, desastres naturais…

Basta matar grávidas, crianças e idosos que as pessoas ficam alarmadas, mesmo que isso represente somente umas 60 pessoas entre 180 milhões.

A verdade é que quando uma criança morre nós ficamos comovidos, leia-se abobalhados. Quando uma grávida morre dando a luz, nós ficamos comovidos, leia-se irracionais. Quando um velinho morre, nós ficamos comovidos, leia-se burros.

E quando temos alguém para colocar a culpa e queimar na fogueira, essa comoção toma proporções épicas, com direito a garfos de feno, tochas, tacapes e turbamulta. Alguém tem que ser o culpado.

Proporções da paranóia

  • Em média, no Brasil, 1455 pessoas se infectam com AIDS por mês. Mas AIDS já não vende mais notícia (fonte).
  • Em 2008, (dados parciais até out/2008) tivemos 5.124 casos de Hepatite B – HBV (fonte).
  • Em 2007 o HBV teve 11.560 casos com 467 óbitos, taxa de mortalidade de 0,0403. O dobro do H1N1. (fonte)
  • 35.146 pessoas morreram no trânsito brasileiro, isso é bem mais que 60 pessoas (fonte)
  • AIDS mata 31 vezes mais do que o influenza A. A taxa de mortalidade da AIDS é de 0,9 por 100.000 habitantes, o do H1N1 está em 0,029.
  • 493.949 casos de dengue de janeiro a junho de 2007, com 93 mortes. (fonte)

Você entendeu que foram quase meio milhão de casos de dengue no Brasil em menos de 6 meses? E que a AIDS tem taxa de mortalidade 31 vezes maior, que HBV mata mais e ninguém noticia. E que se H1N1 é pandemia o que diremos de dengue, AIDS e HPV? Sem falar no trânsito…

Empresários

Por haver uma grande demanda pública por H1N1 os empresários acabam se adaptando ao mercado e induzindo ainda mais a paranóia, distribuindo máscaras (o que os profissionais de saúde dizem que em certas circustâncias é pior!) alcool em gel, etc.

Eu não posso compactuar com a histeria e a paranóia. Prevenir é bem diferente de aderir ao movimento fim do mundo.

Minha consciência grita ao ver todos ao meu redor assumindo medidas de pseudo-segurança só para agradar o cliente. E assim que a “febre” do H1N1 for noticia velha, irão adotar os mesmos hábitos antigos de se manter fechados no inverno, de lavar as mão com menos frequência, coçar o nariz despuradamente, espirrar no ônibus, mesmo que isso espalhe outras doenças respiratórias, vão continuar bebendo e dirigindo…

Ou seja, não estão fazendo isso para mudar um hábito, estão fazendo isso para aplacar a turbamulta e preservar os seus negócios. Ok, válido.

Mas e se ao invés disso trabalhássemos para consciêntizar a população para parar o medo infundado e a dissiminação de boataria?

Usando os Axiomas

  • Não acredite.
  • As coisas não são o que parecem.

Um apelo

Não se deixe influenciar pela massa, mídia, etc. Se você faz o Método DeRose, mostre sua lucidez e pesquise, converse, informe-se, cheque e principalmente não seja ovelha.

Isso não quer dizer que eu estou afirmando para você não se cuidar, eu estou dizendo para você não ser contaminado pelo outro virus: o da paranóia.

Anti-virus H1N1

  • “Ouvi dizer que…” – Quem disse? Era um profissional da saúde envolvido diretamente no processo?
  • “Li no jornal que…” – Qual era a fonte do jornal? Era alguém ligado diretamente a questão H1N1?
  • “O secretário de saúde disse…” – Secretário de saúde é um político e como tal faz sua fama dizendo o que o povo quer ouvir e não o que precisa ser dito.
  • “Meu primo me contou que o governo está diminuindo os números para não gerar caos…” – você acreditou? Checou? Quais são os indícios.

 

 

Fonte: swasthya.marcocarvalho.com