História legal

    Tudo estava em harmonia na tribo, índios dançavam em seus rituais, conectados assim a natureza, fazendo de tudo um só universo.
Um branco que passava no local resolveu entrar para ver como era, ele realmente aprendeu e começou assim dançar com índios em todos rituais, aprendendo cada vez mais como era a vida.


    Ele então resolveu que iria passar isso para seus amigos, eles toparam e logo o ritual ja tinha índios e brancos, era uma união, não tinha raça, um movimento harmonioso, crescimento espiritual.

 

    Tudo ia tão bem até quem uma pessoa do ritual percebeu que todos estavam felizes demais e só ele não conseguia a paz, resolveu ele então buscar a felicidade em outra coisa, ganhando dinheiro.

 

    Teve uma idéia brilhante, divulgar o ritual para todos, iria ganhar muito dinheiro e ganhou!, Tudo cresceu tanto que no final nem os membros do ritual se conheciam. Todos buscavam a paz e o amor escrito no panfleto e iam conferir, chegavam lá faziam tudo que o bilhete dizia e se tornavam maiores, tão maiores que achavam que o ritual era pra gente grande, então passou a ser um ritual para pessoas de “alto nível”, todos então começaram a achar o máximo aquilo, sempre ir com suas mais belas marcas de roupas, tudo o mais diferente possível, para aparecer, não sei por que até virou moda chupar pirulito, virou moda até ficar pelado, se sujar de lama, sair “voando”, gritando, enfim virou moda aparecer, embora só apareçam lá.
 

   Os participantes da antiga tribo tiveram que sair, não estavam se sentindo tão bem quanto no antigo ritual, foram saindo aos poucos… No final restaram poucos, pouquíssimos… Ou nem um.

    Então alguém perguntou:
    - Cadê a harmonia? Cadê a paz que não to vendo nesses olhos esbugalhados?
   

Ninguém sabe responder.

 

    Há quem diga que está dentro de cada um, mas ninguém quer perceber, ninguém quer usar, todos estão muito satisfeitos para pensar, todos aparecendo conforme planejava, todos doidos desvairados, se chamam de loucos sem saber o que é isso, se chamam de pensadores sem saberem o que é pensar, chama de natureza sem saber conectar, não sabem nada.

 

    Os que sabem não identificam mais o ritual, não existe mais ritual, só uma festa agora.
As coisas mudam, não existe mais movimento trance.